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Setembro 24, 2009
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Já está começando…
Setembro 24, 2009
Quando vi essa reportagem pela manhã, lembrei a hora do filminho Wall-e, especificamente dos humanos obesos que nao andam mais e se movem em cima de máquinas.
Será que esse robozinho não seria o começo? Sério… fico imaginando aquele bando de japoneses andando nesse trocinho… só tenho medo dessa mania se arrastar pro resto do mundo.
Parece divertido, mas será salutar?

Tá… sei que uma das promessas é que o banco não polui, é silencioso e blábláblá… sei também que pode ajudar muitas pessoas com problemas de lomoção. Mas… sei lá… enquanto sua utilização se restringir a pessoas com problemas e tal, tudo bem… o problema vai começar quando pessoas sem limitações se viciarem no uso.
Ah, quer saber… no fim, eu lembrei do desenho e pronto!
Fetiche
Setembro 19, 2009
Uma das minhas matérias na faculdade de Direito foi Filosofia. Lembro-me, perfeitamente, de um dos temas de estudo: fetiche.
Bom, fetiche não é só aquilo que você pensou de primeira. Não se refere só a fantasias sexuais. Fetiche, na verdade, é tudo que, apesar de simples e, teoricamente, sem muita importância, acaba tendo um valor muito maior do que realmente tem pura e simplesmente por causa de nossa projeção. Ou, melhor dizendo, o homem começa a atribuir um valor muito superior ao que tem realmente o objeto. A melhor palavra para definir, como dizia o meu professor, era sobrenatural: o homem começa a achar que o objeto cultuado possui poderes divinos lhe conferem riqueza, sabedoria, inteligência, e, lógico, o próprio poder. Dessa forma, começa a cultuar o objeto de sua paixão, achando que com ele sua vida fica melhor, as mulheres têm mais interesse, os homens lhe acham mais sensual.
É por isso que vemos tantos homens preocupados em comprar o melhor carro, mulheres querendo o mais belo sapato, adolescentes desejando roupas de marca. Tudo isso, fetiche. .. Meu velho amigo Karl Marx (sim, eu acreditava em suas teorias…), sabia disso. E escreveu muito sobre em sua obra “O Capital” (também li na faculdade). O barbudo dizia que o homem não pensa na utilidade do objeto quando o compra (na maioria das vezes, é claro), mas no que o objeto poderá representar em sua vida. E que essa representação também possui um valor, o qual, sempre, aumenta o preço do produto. Interessante, não? Todos nós já passamos por isso…
Mas o que eu quis com essa pequena e insípida introdução foi mostrar uma artigo que li ontem no site da Julia Petit (adoro), que abaixo reproduzo:
“Enviado por: Julian@/ Goiânia- GO
Qual é a sua primeira reação ao se deparar com a foto abaixo? Este questionamento é o foco principal do artista francês Sebastien Bouchard. Ele pintou à mão, monogramas da luxuosa marca Louis Vuitton em tigelas feitas de cabaça africana. Estas tigelas são objetos muito simples, custam menos de US$ 1, porém, são de grande utilidade a população local (servem para armazenar água, coletar grãos, cozinhar). Intitulado “C’est la crise”, as fotos simbolizam um forte contraste entre os desejos da cultura ocidental e as urgentes necessidades nos países pobres da África. Uma resposta artística à atual situação econômica mundial.”

Acho que a figura fala por si só e nos deixa com aquela sensação de “Putz, como sou idiota em ligar para etiquetas ou valor (e não custo…)”.
Só sei que estou cansada…
Setembro 15, 2009
Estou super cansada… com sono… com fome… cansada mesmo. Nesse final de semana, eu, praticamente, nao fiquei em casa. Sai na sexta. Trabalhei sabado de manhã. Saí sábado a tarde… Voltei de noite. Domingo, não saí. Mas domingo não conta. É sempre chato.
Acordei cedo, fui trabalhar. No almoço, vi que o céu estava lindo, com nuvens desenhadas. Lindo demais. E eu… indo almoçar… próximo ao trabalho…
Almocei num lugar calorento. Peguei muita cenoura e, só enquanto comia, lembrei que não gosto muito de cenouras… O bife estava estranho. Tinha um “arroz carreteiro” com duas cores de arroz que eu, obviamente, não comi. Tinha escondidinho. Peguei um pouco. Mais o bife estranho. Achei dois pastéis. Os últimos. Não aguento com pastéis. Não me controlo. Os pastéis estavam murchos. E eu os comi mesmo assim.
Pedi Coca Zero, que estava gelada. Muito boa. Conversei sobre assaltos, provável greve (qualquer bancário só fala nisso nessa época do ano…), comidas, carros, flanelinhas, comidas, coca-cola gelada, comida… greve… Resolvemos voltar. Caminhamos no sol insuportável, que, logicamente, queimou meus braços. O céu continuava bonito, mas o calor era insuportável.
Ao voltar ao trabalho, tomamos um choque com o ar condicionado. Coloquei meu casaco. Fui pra uma reunião no lugar de um colega. Não entendi patavinas. E, no final, ainda fizeram piada quando falei alguma coisa… alguém disse: Ela fala! Dei um sorriso porque até achei engraçado. Fui embora pensando no quanto eu era bocó por não falar nada.
Sentei na minha baia. Dois minutos depois, meu chefe me chamou. Outra reunião. Nessa, não fechei a boca. Fiquei confortável. Não, eu não era bocó 100% do dia. Só quando estava no meio de 11 homens sendo a única mulher e ouvindo sobre um tal de agents(r)v que não sei pra que serve mas que existe.
A reunião acabou. Saí correndo. Tinha compromisso. Quando ia embora, tive que dar atenção pra uma última piada. Lembrei daqueles alunos chatos que sempre fazem pergunta ao professor nos últimos três minutos. Dei a minha já conhecida risadinha. Dei tchau umas três vezes, até conseguir ir embora.
Entrei no carro. Um fdp, sem luz de freio, quase me fez bater. Odeioooooooooooo esse povo. Vim o caminho inteiro pensando em como eu seria mais feliz com um som no carro. Não, não vou comprar. O meu foi furtado ano passado, na frente da minha casa. Odeiooooooooo esse tipo de gente.
Cheguei em casa. Peguei minhas cachorras pra levar no vet. Elas se embolaram no poste de rua, em frente a um monte de gente. Tentei soltar. Uma delas escapou. Saí correndo. Consegui segurar com o pé. A outra escapou. Que odiooooooooooooo. Saí correndo e gritando. Ela foi “encontrar’ uma cocker preta. Consegui pega-la. Estava puta. Nem vi o dono da cocker. Só sei que era jovem e moreno. Provavelmente bonito, pra meu desespero.. Entrei no carro pensando que minha corrida devia ter sido ridícula… Fui no vet. Quase morri de espirrar. Não sei o nome, mas, nesta época, em Bsb, uma árvore solta um monte de floquinhos que dizem ser flores. Parece neve. É bonito, mas chato.
O vet. quase esmagou minha mão. Estava de anel. Que odioooooooooooo disso. Voltei com as cadelas. Uma mulher quis vender amendoim. As cadelas me deixaram surdas. Que odiooooooooooooo desse povo. Voltei pra casa. Entrei. Esqueci de tirar a coleira. A menor conseguiu (como monstrinha que é), detonar a guia da maior. Vou ter que arrumar outra. A terceira detonada. Que odiooooooo. Mas é bonitinho.
Fui procurar comida. Comi danoninho no potão. Ai, que delícia. Meu amigo ligou. Reclamou de trabalho. Voltei. Fui ver tv. Amanha tenho mais reunião. Odeioooooo reunião. Por que não tratamos tudo via e-mail? Minha amiga ligou, perguntando de cursinho pra concurso. Afff… nessa hora… eu mereço… não sei dessas coisas. Voltei pra tv. Vai começar novela nova. Não vou assistir.
Quero dormir. Mas to tão cansada que – tenho certeza – não vou conseguir dormir de cansaço. E amanhã, trampo de novo.
Como dizia um colega meu… eu queria é ser mendigo…
Numa reunião… um dia ensolarado depois da chuva
Setembro 13, 2009
Gerente: Pessoal, precisamos traçar um plano de ação… o fim de ano já está chegando e, como todo mundo sabe, essa é uma época complicada… muitas homologações… muitas compras atrasadas… aquela velha necessidade de se cumprir o orçamento. Então, o que eu queria de vocês é ver o que cada um está acompanhando e distribuir novos projetos.
Colega 1: Ah, pensei que fossemos conversar sobre o clima!! – olha pra todo mundo morrendo de rir e procurando cúmplices..
Colega 2: Perae que vou buscar uma coca pra gente.
Colega 3: Mas chefe… a gente já sabe tudo que tá saindo aí, de licitação?
Chefe: Olha, eu consegui uma planilha com o pessoal da logística. Quer dizer, a linda e maravilhosa (eu) conseguiu com o pessoal de lá. E, pelo visto, tem muita coisa saindo, a gente vai precisar dar conta.
Eu: Mas e aí? Vai vir mais gente pra cá ou não?
Chefe: Olha, a gente ainda não sabe… a coisa tá em andamento. Mas acho que só daqui a dois meses pra termos uma resposta definitiva.
Aguém começa a rir. O chefe para. Começam as conversas paralelas.
Eu: Cara, eu tava vindo pra cá e teve um acidente na EPIA. Um cara morreu…
Colega 1: Ah, eu vi!! Nossa, que horror. Vc viu o trânsito que ficou?
Eu: Nem fala… Eu fiquei besta com o corpo no lençol. Vc viu como tava volumoso? Porque,geralmente, o corpo fica estendindo.
Colega 1: Será que o cara era gordinho?
Colega 4: Ahahaaha, eu nao aguentei a cara do Maradona!!
Colega 5: Vai ter jogo do Vascão esse fim de semana.
Chefe com cara de paisagem…
Eu: O que eu fico imaginando é se o carinha era gordinho ou se ficou todo embolado. Tipo um braço aqui, a perna ali. Aff.. nossa.. que horror. Eu pego aquela via todos os dias.
Colega 1: É… o pior é que vc pega um pedação. Eu pego só a partir do viaduto Ayrton Senna.
Colega 6: Nossa, que papo mórbido!!!!
Colega 5: É, eu to vendo. Mas o pessoal na EPIA mete o pé. Eu mesmo venho na bala.
Eu: Isso é porque vc não viu o papo do almoço.
Silêncio. Cheque com cara de paisagem… balançando a cabeça…
Eu: O pior é que era um caminhão de gasolina.
Colega 7: É. Eu vi no rádio dizendo que era um caminhão tanque.
Colega 3: Eu fiquei sabendo que era um caminhão de combustível ou de água.
Colega 7: Então… caminhão tanque..
Eu: Eu não sei direito o que era. Mas era um caminhão tanque.
Colega 6: É.. bom que não explodiu. E se fosse combustível, ne?
Chefe com cara de paisagem…
Colega 1: A EPIA é foda…
Chefe: Pessoal, vamos voltar aqui.. vamos decidir quem vai fazer o quê.
Colega 2: Gente, voces não vão beber a coca? Hey, fulano, chega aí. Pega um copo pra você.
Fulano: Quero não. Já vou embora.
Chefe: Pessoal.. voltando… vamos resolver logo.
Um “transeunte” sem noção resolve passar pela mesa de reunião, fazendo com que uns tenham que se levantar, outros se afastar.. enfim… enchendo o saco de proposito, já que poderia pegar outro caminho. O transeunte passa morrendo de rir e faz uma piadinha de que nós estamos em seu caminho…
Colega 3: Chefe, por que você não decide e só passa o trabalho pra gente?
Colega 4: É, é só abrir o projeto no DotProject e designar o responsável.
Chefe: Bom gente(cara de resignação)… então, vou fazer isso… mas eu queria que vocês revissem os projetos e dessem andamento. A gente precisa caminhar, porque a coisa vai apertar.
Eu: Nossa.. é sempre a mesma coisa… Mesmo quando eu tava na logística.. chega setembro, outubro… a coisa vai piorando. Isso se não tiver greve.
(o linda e maravilhosa é por minha conta)
Chazinho beeemm natural
Setembro 9, 2009
Sabe… tem coisas que é melhor você não pensar… não cutucar… não procurar… não forçar a vista… Como disse algum pensante, provavelmente Freud – pai de muitas frases com autoria desconhecida ditas por gente “cul(r)ta ” – permanecer dormindo é, algumas vezes, melhor que acordar…
Hoje, dando continuidade a minha mais nova mania (muito saudável, por sinal), fui fazer meu chazinho quentinho de camomilazinha e melissinha numa xicarazinha. Ok… coloquei os diminutivos achando que ficaria engraçadinho… Pois bem… eis que, pela primeira vez, prestei atenção das folhas secas da melissa (utilizei saquinhos com a camomila). E, lóóógico… tinha que achar um pedacinho de folha com um furinho de lagarto. Sim. Vai ter lei de Murphy assim lá no Suriname…
Pois é… Só sei que o pânico tomou conta de mim. Fiquei pensando nos inúmeros pedaços de lagartinhos que eu, provavelmente, havia comido nas outras noites de chá. Nossa!!! Já pensou? Aqueles pedacinhos meticulosamente cilíndricos e secos não eram galhinhos ou raminhos das folhas.. Eram corpinhos de lagarto. Meu Deus!!! Por que??? Por que??? Eu me perguntei por diversas vezes, aos prantos! Saí correndo pela casa, abri as janelas e gritei a minha infelicidade a todos na rua!!!! Chorei, chorei, esperneei… arranquei os cabelos!!! Vomitei de nojo!! Saí correndo pelas quadras do meu bairro, padecendo por minha maldição! Por que? Era a única coisa que eu conseguia repetir…
É claro que as cenas acima se passaram em minha cabeça por uns, vejamos… 3 segundos. Ah! Fala sério!! Você acreditou que eu tivesse feito isso?!? Duvido que não tenha experimentado um turbilhão de emoções e imagens quando algo inesperado acontece ou quando pensa ter esquecido o cartão de crédito na mesa de seu trabalho, com um monte de terceirizado fazendo reforma… Aposto que você imaginou que o cartão havia sido “encontrado” e utilizado para comprar cerveja, ir a um inferninho, comprar tênis Naikis Xoquis… e tudo isso nos apenas dois segundos que levou até achar o cartão no bolso… Então, isso é prova de que o tempo corre diferente em nossa imaginação… mas, voltando…
Lá estava eu pensando no quão nojento havia sido eu comer os bichinhos. Xinguei a empresa que não selecionava e, o pior!, não lavava as folhas antes de seca-las… Cheguei a vasculhar o saquinho tentando confirmar a minha tese – qualquer corpinho suspeito serviria para eu me dar razão. Daí, após longo e tenebroso inverno, lembrei de minha mãe dizendo: “Ter bichinhos significa que não tinha muito veneno. Come esse alface logo, minha filha!!!”. E por incrível que pareça, comecei a achar que aquilo não era tão ruim, já que o lagartinho que come o côco tem gosto de côco, aliás, “é só côco” (cresci ouvindo isso). Nunca comi o lagartinho do côco, na verdade, uma larva. Mas comeria, depois de saber que é feito de côco… acho que comeria… é, eu acho.
Também lembrei que a água era fervente e que, por isso, dos males seria o menor: comeria o corpinho cozido. De quebra, ao meu chá estariam acrescentadas proteínas rehidratadas, vitaminas… enfim, seria um chazinho de sustança!!
Há coisas piores que um chazinho assim. Se pensarmos na fabricação do queijo, por exemplo, veremos que não é lá uma coisa muito ineressante pra se comer…
Tomei meu chazinho. E to aqui, vivinha da silva!
Acho que vou dormir mais um pouquinho.
Resignação
Setembro 6, 2009
O arquivo (Victor Giudice)
No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.
(em 1996, lembro como se fosse hoje, eu apresentei o texto acima num concurso de melhores contos do colégio. Ao final da leitura, estavam todos boquiabertos e pensativos. Eu também não o conhecia. Como nada é por acaso, encontrei o texto em uma apostila de pré-vestibular da minha irmã, de capa verde. Nunca mais o esqueci.)
Numa versão mais descontraída:
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Ain´t no mountain high enough!!!
Setembro 4, 2009





* Odeio cair da vassoura…
Poesy Bed
Agosto 26, 2009
Por que eu não tive essa idéia antes? Por que não fui eu a inventar o Harry Potter ou a saga Crepúsculo??
Eu quero essa cama para mim!!! Urgente! Vou lançar a trilogia “Latidos na Madrugada”.


Imagina… nada de insônia…
* Quem dera eu usufruísse de um ócio criativo…
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